Realidades Escondidas

28 03 2010

Em conversa realizada com um quadro superior de uma entidade bancária, comentei umas dificuldades e uma forma de actuar, que uma amiga estava a passar, numa outra entidade bancária, que passavam um pouco pela questão, daquilo a que essa amiga referia como “stress de não saber como iria ficar a sua posição na empresa”, e que passava por falta de conhecimento de como as dificuldades que a referida entidade bancária iriam ser ultrapassadas e como isso poderia afectar os postos de trabalho dos seus funcionários. A este meu comentário, obtive uma resposta que não quis acreditar no que me estava contar, dizia-me ele, que, hoje em dia, existem estratégias, que são transmitidas aos quadros superiores das empresas, no sentido de criarem situações de ansiedade aos restantes quadros da empresa, que os levem a não suportarem a “pressão” e serem eles próprios a proporem a sua saída, criando assim uma situação de custos reduzidos às empresas, evitando elevadas indemnizações que seriam obrigadas a pagar por despedimento.

Como referi, fiquei incrédulo, não porque não tivesse por assim dizer conhecimento de que as situações de pressão existem e são uma realidade actual, mas porque nunca imaginei alguém a leccionar uma aula de como correr com um funcionário sem o despedir. Só após a leitura da entrevista publicada no “Público\”Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal\” , percebi toda a complexidade desta forma de agilizar custos à custa da maior ou menor capacidade psicológica de resistência de cada um à insegurança na manutenção do posto de trabalho.

Longe vai o tempo em que as fundações de uma empresa assentavam na confiança, quer entre os diversos níveis de responsabilidade, quer dentro do mesmo nível. Eram laços que eram criados, e que tornavam essas empresas quase como a segunda família, os objectivos de um eram os objectivos de todos, não que ainda não o sejam, mas a forma como são obtidos obteve contornos de olimpíadas.

Com a chegada da teoria da “Aldeia Global”, a concorrência que as empresas tinham no pré “Aldeia Global”, e que era na maior parte das vezes regional, agora, no pós, tornou-se continental e mundial, fazendo depender a sobrevivência das empresas, da sua capacidade de apresentação de resultados melhores a custos mais baixos, essa concorrência, não se compadece com o individuo, usa até ao limite as capacidades desse individuo, e quando esgota as suas capacidades, descarta-o e arranja outro, porque também entre os indivíduos se generalizou a concorrência, a competição, a segurança do posto de trabalho não deve ter limites na forma de o assegurar, nem que para isso pisemos o nosso vizinho, já nem na ideia de olimpíadas se encaixa este comportamento, diria que entra no conceito de circo Romano, somos gladiadores da era moderna.

É neste contexto que as relações de trabalho evoluíram, exigências das capacidades do indivíduo levadas ao extremo, como objectivo de maximização dos lucros, pois só assim as empresas podem crescer e ganhar capacidade de entre elas se devorarem, se fundirem para aniquilação da concorrência, criando assim a meta da monopolização. Neste ambiente de concorrência e competitividade, como referi “Circo Romano “, o individuo é arrastado para esta selva, a constante exigência de obtenção de resultados, com objectivos a alcançar de dia para dia mais elevados, leva a uma monocorrida, ou seja o individuo compete contra as suas próprias capacidades tentando superá-las, com a aproximação dos seus limites a serem atingidos, mas a continuarem a serem exigidos mais esforços, os estados de concentração e ansiedade aumentam, a tal ponto, que uns têm capacidades mentais e psicológicas capazes de aguentar estes níveis de ansiedade, outros nem por isso, e para esses que não conseguem controlar os seus níveis de ansiedade, são acometidos por doenças do foro psicológico, podendo no extremo levar ao suicídio.

No extremo, é por vezes a vergonha, a autocrítica, o status até aí obtido, e que por falha dos objectivos é diminuído, a própria crítica, muitas vezes velada, dos pares, que leva ao desfecho, para muitos imprevisível, mas que actualmente com a repetição de inúmeros casos, começa a despertar consciências. Até que acabem, e eu duvido que acabem, indivíduos que se confundem com a própria besta criada, entenda-se empresa, que apenas ouvem o tilintar dos lucros, iremos continuar a ver quadros superiores, intermédios e todos aqueles que trabalham por objectivos, a engrossar com os seus nomes, as listas das doenças psicológicas e dos obituários.

Penso que está na altura de aparecerem docentes que ensinem técnicas de contrariar as ministradas aos quadros superiores, como referi no inicio, no sentido de criar uma contra corrente, que possam minimizar os estragos feitos pelas novas técnicas de gestão de recursos humanos, no tecido empresarial, é que pode surgir a qualquer momento uma outra realidade, que não sei se já tem ou não expressão, mas que é possível, com efeitos tão ou mais nefastos dos que se têm referido aqui, que é passarmos do suicídio ao homicídio, ou seja, o individuo ao chegar ao seu limite, em vez de pôr termo à sua vida, identificar como alvo, quem o levou ao extremo e aos níveis de stress e ansiedade, e cometer um crime.

Como optimista que sou, quero acreditar que a capacidade de raciocínio que desenvolvemos ao longo de milhares de anos, encontrará solução para mais um desafio na evolução, não esquecendo que continuamos a ser animais e não máquinas.

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Rever-te

21 03 2010

Rever-te nesse teu ar de menina,

Nessa tua alegria de vida vivida,

Nessa beleza no tempo vestida.

É prazer jamais sentido,

Tremor que me trespassa

E me amarra as palavras,

Me mantém alerta na noite

E moribundo no caminhar dos dias.


Revejo-te, mas não me vejo

Reflexo que não surge no espelho

Onde sempre revi a vida.

Já vida não vejo neste lampejo

Nem futuro prometido nesta solidão.

Para H






A Pureza da Voz

13 11 2009

Um grande filme com vozes sublimes.





A Alegria de ser Pai [3]

27 07 2009

Esta redescoberta dos momentos passados junto da nossa semente que vamos vendo crescer, ganhar ramos, folhas e flores, é como o amanhecer fresco e delicado de uma manhã de Primavera.

É uma árvore que se fixa e ganha o seu espaço, a sua identidade, o seu saber estar e ser, é maravilhoso verificar que começa a ter o seu estilo e gosto próprios de quem se destaca e diferencia pelo seu querer, as escolhas que faz, são-no por ser ELA, e não por mais ninguém.

Adoro estes momentos, é como desfolhar um livro que ajudámos a escrever, mas que acaba com vida própria.





Luna

20 07 2009

Hoje, dia em que se comemora a chegada do primeiro homem à superfície lunar, também eu me lembrei de “botar” faladura. Não que a lua me impresione muito, muitas vezes a percorri nas divagações de juventude, mas o que me impressiona deveras, é a viagem em si, o espaço, o vazio, o infinito desconhecido. A viagem essa sim adoraria fazer, e não apenas até à lua, pois essa é já ali, mas uma viagem que me levasse onde ninguém jamais fora. Há uns anos dizia, e hoje reforço essa ideia, aos senhoras da NASA, se quiserem um voluntário, para tripular uma nave que vá e não volte mais, contem comigo, a única exigência, simples de realizar, apenas uma base de dados com toda a música feita neste globo azul, aí meus senhores terão um novo Amstrong. Pensem bem, poderão não voltar a ter uma proposta tão boa.

Lua minha linda já foste!!!!





Noutra dimensão

19 07 2009

Não sei se se recordam de uma série que passou em tempos “5ª Dimensão”, pois é, por vezes temos, pelo menos eu tenho, a sensação de que estou noutra realidade, ou que esta em que vivo, anda distorcida. Outras vezes é aquela sensação de “Dejá Vu”, só que não se trata propriamente de “dejá vu”, é mais um rewind and play. Parece que parei no tempo, e que tudo se vai repetindo ciclicamente, só que o tempo, esse não pára na realidade.

Tudo parece orquestado por forma a fazer cumprir alguma penitência por crimes anteriormente cometidos, um castigo dívino, por lapsos cometidos, mas caramba, não me recordo de ter tido assim tantos, é que a contagem não tem meio de parar. A piada, se é que ela existe, é que tudo à volta se desenrola dentro da normalidade, e até se vai resolvendo tudo a pouco e pouco, para todos, para estes lados é que fica mais pelo “rewind and play again”.

Mas como nada há que eu possa resolver, vou tentando aprender com cada passagem, os erros cometidos, para que um dia os não volte a cometer. Vamos seguindo, conhecendo e aprendendo com outros, até por muito que isso nos custe e nos derrube, temos de levantar e continuar em frente.





Adversidades

9 07 2009

“Se me pedissem que desse um único concelho, que eu considerasse ser útil para a humanidade, seria este: conta com a adversidade como parte inevitável da vida e, quando ela chegar, ergue bem a cabeça, enfrenta-a olhos nos olhos, e diz: “Sou maior que tu. Não podes vencer-me.” Depois, repete para ti próprio as palavras mais reconfortantes que existem: “Também isto há-de passar.””

Ann Landers

Todos nós atravessamos momentos adversos na nossa vida, uns por pouco tempo, outros por eternos dias que nos apoquentam a alma. Nem sempre é fácil erguer o queixo, nem sempre é fácil superar essas adversidades, mas o momento em qua as enfrentamos, que as superamos, é de um sublime e solitário prazer que nos acentua a vida por vezes amarrotada. E quando pensamos que a estamos a endireitar, logo algo volta  a amarrotar tudo de novo, e assim vamos levando a vida numa engomadoria permanente. Pena que o negócio seja efémero.